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Psicóloga ressalta importância do limite que precisa ser dado aos filhos

‘Cara de osso’, assim era conhecido o hoje pastor Evandro Conceição Filho, quando era dependente de cocaína.

Ele que, está há 9 anos e 7 meses sem consumir a droga, teve um final feliz e hoje diz que é “referência em recuperação, é um pai alegre que pode acompanhar o crescimento dos filhos”.

Para manter o vício, Evandro começou a traficar drogas e chegou a ter 12 pessoas trabalhando com ele.

“Meus filhos viam eu crescendo e viam aquelas pessoas em nossa casa e eu não tinha resposta para dar. Além de usuário me tornei traficante”.

Ele afirmou que, no começo, foi influenciado por amigos a usar drogas. “Foi uma fase de muita tristeza para mim e para minha família, cheguei ao fundo do poço, tive vontade de cometer o suicídio, mas tenho um Deus fiel que nunca me abandonou”.

A decisão de mudar de vida veio após Evandro ser atingido com 4 tiros na BR 324, após um assalto. “Comecei a perceber que, se não mudasse de vida, eu iria morrer. Não passei por centro de recuperação, mas tomei a decisão de mudar. Eu precisava criar meus filhos. Se eu morresse, quem os criaria?”, indaga.

Tragédia - O mesmo final feliz não teve Edson Pereira da Conceição, que perdeu três filhos, de 17, 22 e 23 anos para as drogas, em um espaço de pouco mais de 3 anos.

“Quando eu percebi, eles já estavam sendo influenciados por algumas amizades ruins e foi um caminho sem volta. Fui perdendo um filho de cada vez”, lamenta.

Se recuperando da tragédia, Edson afirma que a família fez tudo o que podia para tirar os filhos do mundo das drogas.

“Só Deus pode curar essa dor. Enquanto eles estudavam, tudo estava bem, mas eles saíram da escola, foram viciando e foi uma situação que prejudicou toda a nossa família. Não tem como se recuperar ou superar essa dor, é trabalhar e seguir a vida”, pontua Edson que tem mais duas filhas.

Ele dá um conselho para os pais que tem filhos nessa situação. “Cuidem dos seus filhos porque o mundo não tem piedade e nem o mesmo amor que tempos por eles. É importante cuidar e amar os nossos filhos incondicionalmente”.

A psicóloga e coordenadora do CAPS AD, Carolina Carvalho, ressalta que limite é essencial na relação entre pais e filhos desde criança para que possam ser evitados esses tipos de transtornos.

“O limite é necessário, é preciso dizer não. Não se pode deixar o filho fazer tudo dentro de casa. É preciso estabelecer hora para todas as atividades e é essencial que a família esteja em constante acompanhamento na rotina”, destaca.

Carolina ainda afirma que os pais precisam estar sempre muito atentos aos sinais que começam aparecer em pequenas ações no dia-a-dia. “Faltas na escola, pouco rendimento nas atividades escolares,  são alguns dos indícios de que há alguma coisa que precisa ser investigada”, alerta.

A influência dos amigos também é um fator muito significativo para o acesso dos jovens às drogas.

"Nesse caso do pai que perdeu os três filhos, ele poderia estar frequentando um grupo terapêutico  para saber como lhe dar com essa situação, esse luto”, aconselhou a psicóloga. 

O vício é uma doença e precisa de tratamento, precisa que a família saiba como deve ser feita a abordagem. “É muito importante que a família dê apoio e esteja presente durante o tratamento”, finalizou Carolina. 

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