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Deputados baianos se dividem sobre caso Braga Netto

Mesmo aliados de Bolsonaro na Câmara, parlamentares baianos se dividem sobre o episódio envolvendo o general Walter Braga Netto, ministro da Defesa, nesta quinta-feira (22) em Brasília. A declaração mais dura foi do deputado Paulo Azi (DEM), que chamou de “inconsequente” a vinculação da realização das eleições em 2022 à aprovação do chamado “voto impresso”.
 
“Esse tipo de declaração do ministro da Defesa é completamente inconsequente. Não tem nenhuma base de sustentação para que se possa pensar em qualquer tipo de retrocesso no sistema democrático do Brasil. Isso é falta do que fazer e do que dizer, tentar vincular as eleições a essa questão do voto impresso, que é uma coisa muito menor”, declarou Azi, que já chegou a ser vice-líder do governo na Câmara.
 
O deputado federal Cacá Leão (PP), por outro lado, colocou panos quentes na polêmica. Apoiado na nota divulgada por Braga Netto, o parlamentar baiano afirmou que o ministro da Defesa desmentiu a ameaça. Questionado sobre o texto assinado pelo ministro ainda pressionar pela aprovação do “voto impresso”, Cacá Leão voltou a minimizar. “Pressão faz parte”, disse o parlamentar, em entrevista ao Bahia Notícias.
 
Tanto Paulo Azi quanto Cacá Leão preveem dificuldades para o governo federal aprovar a mudança para 2022. Segundo o deputado do DEM, a tentativa de vincular a realização das eleições do próximo ano à aprovação do “voto impresso” é um dos fatores que dificultam o debate do tema na casa legislativa.
 
“O voto impresso está sendo inviabilizado por esse tipo de postura. Vincular as eleições a essa questão do voto impresso é um absurdo e não encontra respaldo no Congresso. A grande maioria não admite esse tipo de vinculação. Acho até que há muitos parlamentares a favor de um maior tipo de auditagem das urnas, mas a maneira como isso tem sido usado, ameaçando a realização de eleições, prejudica as discussões”, comentou Azi.
 
Para Cacá, a politização do “voto impresso” alimentada por membros do governo federal acabou inviabilizando a aprovação da mudança. “Esse assunto acabou muito politizado. Eu não tenho nada contra [a aprovação do voto impresso]. Mas acho que vai ser derrotado na comissão”, concluiu o parlamentar.
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