Programa De Olho na Cidade

Especialista esclarece mitos e verdades sobre o câncer de mama

Segundo dados do INCA (2021-2022), serão registrados no ano 66.280 novos casos de câncer de mama no Brasil. O tipo é o primeiro da lista que mais acomete as mulheres, mas também pode aparecer em homens.

Pra seu diagnóstico precoce, o principal exame preventivo é a mamografia que é indicada para mulheres acima de 40 anos, pelo menos uma vez ao ano. Campanhas mundiais como o Outubro Rosa são movimentos necessários para alertar as mulheres quanto aos riscos e a importância de exames de mamografia e ultrassonografia para detectar o câncer em uma fase precoce. Em entrevista ao programa Jornal do Meio Dia a mastologista Jéssica Portela esclareceu alguns mitos e verdades sobre a doença.

Com relação ao fator de risco relacionado à hereditariedade, a doutora alertou que é necessário analisar esses casos com maior cuidado e atenção. 

“A gente sempre tem que avaliar com cuidado quem foi que teve o câncer de mama e a idade, pra gente é mais importante quando é familiar de primeiro grau, ou seja, irmã, mãe ou filha e principalmente quando esse familiar teve o câncer de mama com menos de 50 anos, mas esse é um fator que chama muita atenção e a gente tem que ter um cuidado redobrado com essas pacientes. É preciso salientar também que não necessariamente porque a paciente não tem histórico que ela não vai apresentar o câncer de mama, outros fatores também podem estar relacionados, como o fato da paciente nunca ter amamentado, fatores de risco como ter começado a menstruar cedo, não fazer atividade física, uma alimentação não balanceada, então o histórico familiar é um fator de risco, mas a ausência dele também não quer dizer que essa paciente não pode apresentar o câncer de mama.”

A mamografia ainda é um exame que desperta muitas dúvidas entre as mulheres. O Ministério da Saúde orienta que a mamografia seja feita anualmente a partir dos 50 anos, porém a Sociedade Brasileira de Mastologia, de Radiologia e Ginecologia orientam a partir dos 40 anos.

“Nessas pacientes a gente deve fazer a mamografia anualmente porque nesse período possa ser que apareça algum nódulo, então se a gente esperar dois anos pra fazer um novo exame ás vezes pode perder esse tempo de um diagnóstico precoce e acabar diagnosticando lesões maiores ou mais avançadas. Importante salientar que a mamografia não vai prevenir o câncer de mama, ela vai fazer com que a gente consiga um diagnóstico precoce para que a paciente tenha uma maior taxa de cura e também a necessidade de menos procedimentos invasivos.”

O autoexame é muito importante para que a mulher conheça o seu corpo e também consiga localizar algum nódulo que apareça após o exame, porém a doutora Jéssica Portela alerta que ele não substitui a mamografia.

“A gente tem que ter cuidado com isso porque no autoexame muitas vezes a gente vai conseguir palpar nódulos a partir de 2 cm e isso para pessoas que tem facilidade em palpar a mama, então o ideal é que a gente faça o diagnóstico antes mesmo de sentir esse nódulo, portanto o autoexame não substitui a mamografia, mas claro que é importante que a paciente se conheça e às vezes acontece de entre uma mamografia e outra aparecer um nódulo palpável, então é importante sim o autoexame, porém ele não deve substituir a mamografia.”

Conhecer o próprio e observar os sinais que ele dá é muito importante para perceber alguma alteração na saúde. Isso é o que acontece com as emoções, que podem diminuir a nossa imunidade.

“A gente sabe que todas essas alterações acabam influenciando na diminuição da imunidade levando ao aparecimento de algumas doenças, então acaba que algumas pacientes conseguem associar o aparecimento de alterações na mama a algum problema psicológico. Não há estudos que comprovem essa relação, mas a gente vê que esses achados psicológicos podem alterar a nossa imunidade e ter alguma influência na gênese dessa doença.”

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